Como tudo começou
O início da pesquisa sobre os traços de personalidade teve um marco na história. O polímata Francis Galton designou seu interesse pelas características humanas após a leitura da obra de Charles Darwin, seu primo. Com base no livro, a origem das espécies, levantou a hipótese que as nossas características podem ser hereditárias assim como as características fenotípicas.
O que importava para Galton era compreender o talento, intelecto e moralidade, que em sua época, no século XIX, na Inglaterra, era muito importante.
O que foi feito
Em 1865, como um homem da ciência, elaborou métodos científicos para provar sua hipótese apresentada em congresso na Inglaterra, não esperava que acreditassem nele, mas sim nas evidências que ia produzir.
A primeira tentativa era mostrar que homens eminentes – de sucesso – herdaram essas características. Nesta época não existia o estudo da genética e a biologia estava tornando-se independente das ciências naturais. Analisava os pais e suas posições e status sociais. Desconsiderava as variáveis socioeconômicas, porque quando um homem herda o talento, mesmo com toda a dificuldade, vencerá os obstáculos da vida, porque este é o método de seleção natural dos eminentes. Usava estatística com frequência, média, mediana e distribuição normal para examinar esses dados.
Ainda não satisfeito, levantou uma vasta biografia dessas famílias de pessoas eminentes para dar mais robustez às suas evidências. Agora, sua tese já tem corpo, mas ao longo do tempo descobrimos que vai além, que há fatores ambientais, entretanto, não foram colocados na equação de Galton.
Curiosidade
Afirma que quando há o cruzamento de pessoas ilustres, sua prole também o será. Começou a disseminar a ideia de uma raça selecionada e criou a Eugenia, mas sua perspectiva era científica, de termos uma sociedade mais intelectual, produtiva e de moral elevada. Não como aconteceu posteriormente. Porque mesmo articulando esta ideia com os políticos, não acreditava que deveria ser forçado, mas sim incentivado e ao longo do tempo os outros humanos deficitários seriam suplantados por esta nova classe.
O próximo passo
Em 1884, após suas investigações sobre homens eminentes e seus talentos, foi em busca de medir o caráter. Com base na teoria da evolução e suas investigações anteriores, se há determinação em talentos dos homens, é possível que haja herança no caráter – aqui caráter engloba intelecto, julgamento, civilidade. Se é determinado é possível medir, porque é de origem biológica, portanto, compara com as máquinas que compõem a revolução industrial da época. Se sabemos como as máquinas funcionam, as medidas e podemos calcular as saídas de produção, também é possível medir o homem. Com sua sagacidade, combinou outros instrumentos de medição da medicina, como batimentos cardíacos e volume do sangue para perceber o estado da pessoa. Modelou experimentos para medir este fenômeno: o estímulo necessário para extrair uma resposta genuína do observado para coletar essa informação e comparar com a população. Há a preocupação de conseguir um dado representativo da expressão do caráter.
Conclusão
Esses questionamentos trouxeram avanços para a área dos traços de personalidade, porque os pesquisadores seguintes partiram dessa inquietude de Galton de medir características humanas, mas os próximos complementam as ideias de Galton.
Foi uma disrupção contra outras tentativas de supostas ciências que iremos tratar aqui como a avaliar a personalidade pela Fisionomia e Frenologia.
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